Lucas sob domínio da lei do terror

Traficante que instalou portões em favela ordenou execução de desafetos e até roubo à estação de trem que serve moradores

POR LESLIE LEITÃO

Rio – A instalação dos portões que impediam a livre circulação de moradores pela Favela de Parada de Lucas — derrubados quarta-feira pela polícia, após denúncia de O DIA — não foi a única medida de terror imposta por Ronaldo Rocha Dias da Silva, o Tião, chefe das bocas de fumo do local. Seus comparsas passaram a ostentar armas pesadas pelas ruas, executar desafetos e cometer assaltos na região — um deles foi o ataque à estação de trem que atende os moradores.

Um crime chocou os vizinhos no dia 3: o cabo reformado da Marinha Rosenildo Barbosa dos Santos, 49 anos, foi executado por um homem na frente da família. Morador da comunidade há mais de 30 anos, onde ganhou o apelido de Peu, ele era dono do bar Peulorinho, às margens da Avenida Brasil e bem ao lado de um dos portões colocados a mando de Tião.

Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

Dentro da comunidade, o chefe do tráfico espalhou a versão de que o comerciante havia sido morto num suposto assalto. “Todo mundo sabe que foi o Ken que atirou”, limita-se a dizer um outro comerciante da favela. Ken é um dos matadores do bando de Tião. Segundo relatos de alguns moradores, ele e um comparsa conhecido como Bolinho teriam descido de um veículo preto, se aproximado do bar e disparado sete vezes contra Peu, que morreu na hora.

“Ninguém vai contar essa história oficialmente. Não dá para falar nada. Cada hora some um aqui dentro”, disse um morador. O medo se traduz na lei do silêncio. A Divisão de Homicídios (DH), que investiga o crime, ainda não tem pistas do que motivou o assassinato do comerciante.

Pastor foi expulso com a família

Há mais de uma década atuando no tráfico de Lucas, Tião só entrou na mira da polícia em novembro de 2009. Segundo investigações da 38ª DP (Brás de Pina), o bandido mandou expulsar a família do pastor Odilon Calixto da Cunha da vizinha favela de Vigário Geral. A casa foi saqueada. Os poucos móveis que restaram tiveram que ser retirados da comunidade com escolta policial.

Ao ascender na hierarquia do bando, Tião atraiu Rômulo Oliveira da Silva, o Furacão, filho de José Roberto Oliveira da Silva, o Robertinho de Lucas, traficante que praticava assistencialismo na comunidade nos anos 90. Hoje, o jovem também circula de fuzil pelas ruas da favela.

‘Golpe de estado’ para assumir controle

Tião passou a ditar as regras em Lucas ao comandar um ‘golpe de estado’ no fim do ano passado. Na noite de 14 de novembro, o então chefe do tráfico, José Carlos Lopes, o Chopp, foi encontrado morto, com o rosto desfigurado por um tiro de fuzil.

Logo após o crime, Tião espalhou a versão de que PMs teriam invadido a favela e executado Chopp. Chegou a mandar moradores à 38ª DP (Brás de Pina) para simular um protesto. A Polícia Civil, porém, detectou a farsa.

A desavença entre os dois começou em 26 de maio do ano passado, quando Tião não seguiu as ordens de Chopp e liderou um grupo que atacou o cofre da estação de Parada de Lucas. Com um maçarico, os bandidos arrombaram o depósito e levaram R$ 10 mil. Foi o único assalto já registrado no local desde que a SuperVia assumiu o controle da rede ferroviária metropolitana, há 13 anos.

17/06/2011 às 08h41m

De:http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/6/lucas_sob_dominio_da_lei_do_terror_171846.html

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